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Do Marketing Político ao Autoritarismo: Um Olhar Sobre os Discursos de Votação do Impeachment de Dilma Rousseff
Clayton Gonçalves, Eduardo Ayrosa

Última alteração: 2017-08-31

Resumo


O propósito do artigo foi analisar as manifestações de deputados por ocasião da votação de abertura do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Adotamos a ótica do marketing político devido à importância que foi dada a sessão transformando-a em evento nacional com cobertura ao vivo da televisão em rede aberta, em um domingo, marcando aquele dia como antológico. Buscou-se no conceito de autoritarismo de direita (ALTEMEYER, 2006) a fundamentação para caracterizar a existência de discursos autoritários, tendo como corpus de análise os discursos de votação dos 511 Deputados Federais. Os dados foram analisados com base na técnica de análise de conteúdo. Verificou-se que existiu, na fala dos deputados, um viés autoritário sendo classificados de três formas: a submissão autoritária, a agressão autoritária e convencionalismo. Além disso, não foi possível relacionar os políticos autoritários a uma ideologia política específica, pois se observou que políticos de direita, esquerda e centro utilizaram-se do autoritarismo em seus discursos para votação. Também, notou-se que os deputados utilizaram seu tempo de votação para se projetarem diante dos espectadores, deixando de lado o real objetivo da sessão, o julgamento da abertura do processo. Dessa forma, apontamos que devemos atentar para o fato de que, apesar de vivermos em uma democracia, o autoritarismo faz-se presente nos discursos políticos e que não se pode afirmar que faça parte de uma ideologia política, mas sim do próprio político, cabendo à comunidade acadêmica debater e buscar uma conscientização a respeito dos possíveis impactos para a sociedade.

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